Nem 2 salários? | Caligraffiti
 
 
Saturday, 5 de July de 2008 • por
 
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salário m?nimo

Ontem na mesa de bar com Pingo, Omagad e Feliz conversávamos sobre salários e como o mercado do Design está prostituído atualmente.

Por dica do meu amigo Christiano Rocco, copio para vocês abaixo um manifesto de um leitor do Janela Publicitária, site que coloca notícias, cadastro de empresas e estúdios de publicidade e design e também ofertas de emprego. O protesto dele tem todo o meu apoio.

De Octavio Machado <motavio@uol.com.br> (Autônomo – Rio)

“É impossível visitar o Janela e não se indignar.
Isso mesmo! E infelizmente, eu diria.
Sou frequentador assíduo da sessão de empregos. Acho indispensável esse serviço. Certamente de grande utilidade para os contratados e para quem contrata.
A indignação vem de vagas cuja remuneração não atinge nem 2 salários mínimos.
Minha gente! Sabemos que a maré não está para peixe, mas estes valores oferecidos não são salário. Se for estágio ainda considero aceitável, mas anunciar uma vaga para DESIGNER com salários nestes valores é um insulto.
Por favor, vamos valorizar a classe. Vamos entender que o design é ferramenta que gera negócios e movimenta grana. Vamos considerar os 5 anos de estudo e dedicacão desse profissional. Vamos considerar o dom e o talento. Vamos, acima de tudo, ter respeito.
Por isso quero gritar: menos de 2 salários mínimos é, no máximo, BOLSA AUXÍLIO, mas não salário. Consciência CONTRATANTES!
E CONTRATADOS, vamos nos valorizar e pensar. Entendo que essa remuneração é, infelizmente, a realidade de muitos brasileiros, mas o designer tem uma formação e a profissão deve estar minimamente regulamentada. Provavelmente deve existir um piso salarial que, ceratamente não é o que estão oferecendo.
FICO INDIGNADO!”

(1 de Julho de 2008)

19 comentários

  1. Gastei says:

    De fato, é uma cretinada. É um fato lamentável, e injustificável. Por mais limitados que sejam os ganhos de uma empresa X não se justifica um pagamento assim. Caso se justifique a existência dessa empresa é que não é viável – não é um modelo de negócio lucrativo o suficiente para justificar a própri existência.

    Em outras palavras: tá pagando gente formada e talentosa com salário inferior a de um profissional analfabeto? Tenha dignidade: Fecha essa merda e abre uma barraca de miçanga. E não me enche o saco.

    Beijos.

  2. Nuno Boggiss says:

    Acho que os site deveria ter também um filtro, senão estará sendo totalmente conivente com esse tipo de oferta de emprego. Ao menos que seja estágio.

  3. Nuno Boggiss says:

    É por essas e outras que todo mundo acaba pensando “fudeu, aqui no RJ é uma merda, vou para São Paulo”

  4. Realmente a nossa profissão é ingrata nesse quesito. Hoje para conseguir um dinheiro que pague suas contas (falo de aluguel, luz, TV, net, combustível) você tem que ralar muito. Hoje o designer rico ou tem o seu próprio negócio, ou desistiu da profissão.

    Eu parei já ha algum tempo de fazer layots a preço de banana. Na época da faculdade ainda tinha a justificativa de ainda não ter se formado, mas agora não dá. O designer profissional DEVE ter a cabeça de cobrar bem em seus trabalhos para que a profissão não seja ainda mais valorizada.

  5. Nuno cadê a ADG nessa hora??? Esse é o nosso grande problema, não ter nenhum órgão devidamente regulamentado e reconhecido e que faça uma lista coerente de preços e salários.

  6. Suzana Elek says:

    Eu venho indignada com o que nos é oferecido por aí a título de emprego. Concordo que o site deveria ter um filtro melhor mas ao mesmo tempo sugeriria a todos os designers por aí a fora que se puderem não depender desse dinheiro que simplesmente não peguem trabalhos assim. Temos que fazer nossa parte e forçar a barra para o nível dos salários e o melhor tratamento para nós como profissionais da área subir. Nosso trabalho é tão importante quanto de um médico ou um advogado que passaram anos estudando e fazendo residência ou treinando pra prova da OAB.Ainda que seja uma profissão que trate a maior parte do tempo com questões informais e subjetivas como melhorar a percepção do comprador do que estamos vendendo ou fazer um consumidor a comprar o que anunciamos. É tão complexo como uma cirurgia e não é o fato de não corrermos risco de vida que isenta nossa profissão de responsabilidade e um profissional apto a isto para realizar as necessidades do cliente.

  7. Nuno Boggiss says:

    Rocco tava me dizendo que na PUC eles já estão fazendo uma esquema de não aceitar as horas de estágio obrigatórias dos alunos para aqueles que trabalham em empresas que exploram o estagiário.

    Essas empresas exploradoras fazem o estagiário de comunicação, adm, direito, trabalharem mais de 8 horas por dia, fins de semana, dão celulares que tocam o dia inteiro, mal consguem frequentar as aulas e muitas vezes perdem o período por conta do estágio ou eprego de trainee.

    Concordo com a Suzana, acho que são essas pessoas que devem começar a evitar trabalhar em empresas desse tipo, com esse tipo de exploração. Uma hora eles se tocam pelo nivel de funcionário que vai aceitar o esquema sujo.

    Uno, segundo a tabela da ADEGRAF (associação de designers gráficos do distrito federal) os honorários mínimos de um designer júnior (até 2 anos de formado) é de R$1.800,00.

  8. Luciana says:

    mais triste que isso é entrar num bureauzinho pra imprimir um trabalho de faculdade, e
    ver um estudante de comunicação da estácio, que “já ouviu falar” em In Design, conhece illustrator, mas usa corel (estava fazedo IMÃ DE GELADEIRA) atender o telefone da sala dele assim: “Não não… isso a senhora resolve com o pessoal de orçamento da impressão, eu sou o designer, vou transferir a ligação”

    como ele estava usando corel (nada pessoal, mas enfim…) perguntei onde ele se formou em Design:
    “não… nem me formei ainda não, tô no segundo periodo de comunicação na estácio”
    eu até ia explicar pra ele que ele não é designer… mas tipo… nem valia a pena.

  9. Nuno Boggiss says:

    Luciana, me dá o telefone que eu ligo pra contar pra ele que ele não é Designer.

    Mas o que vc contou tá longe de ser mais triste que a oferta de emprego por 2 salários mínimos, me desculpe.

  10. Lucyano Palheta says:

    o mais preocupante é que estamos falando de escritórios e agências.. não uma empresa de uma área qualquer que não tem a noção do papel de um designer.. Ou seja, estamos falando de empresas e pessoas que deveriam ajudar a consolidar a profissão..
    Concordo com o Uno qnd diz que podemos fazer a nossa parte cobrando os preços reais.. acho que esse já é um caminho pra valorizar a profissão.. Não é muito, mas é o que está ao nosso alcance..

  11. Eve says:

    Estudamos, nos dedicamos, pagamos um valor alto pela graduação e cursos extras para ganhar isso? Concordo com o que ele disse “o mar não está para peixe”, mas esse “salário” que ofereceram é no máximo bolsa auxílio mesmo… Até os estágios que vejo pagam mais do que isso…
    Isso é lamentável. Cabe a nós tentar mudar isso.

  12. Nuno Boggiss says:

    ABAIXO A VAGA OFERECIDA:

    CRIAÇÃO – DESIGNER
    Quemais Comunicação (Rio de Janeiro) – Vaga para o departamento de criação. Fundamental domínio de Photoshop, Corel Draw e Illustrator. Salário (R$ 780,00) + VR (R$ 14,00) + VT. Enviar curriculum vitae e mini portfólio para thiago@quemais.com.br. (26/6/2008)

  13. Pedro seixas says:

    Nossa area eh ingrata sim. Concordo. Ate mesmo porque o que te faz entrar pra uma empresa eh o quao criativo eh o seu trabalho.Se o seu portfolio nao se destaca, assim crescendo o olho do cliente, ja era.

    Vamo combinar – Uma grande parte dos profissionais da nossa area tem o portfolio igualzinho. Com as mesmas cores, fontes, diagramacoes, linguagens.

    Existem outros aspectos que nos, artistas, d
    43:57
    eviamos prestar mais atencao. Como postura profissional, nao falar `tipo` antes de cada frase pra defender um projeto para o cliente, saber negociar orcamentos com naturalidade, criar contatos profissionais.

    E por fim. Empregos bons de design nao estao na internet.

  14. “Uno, segundo a tabela da ADEGRAF (associação de designers gráficos do distrito federal) os honorários mínimos de um designer júnior (até 2 anos de formado) é de R$1.800,00.”

    É exatamente isso que eu falo. Você realmente acha que a ADEGRAF é um órgão nacional que regulamenta isso?? Ou será apenas uma tabela que a gente encontra na internet??? Qual o peso dessa asociação??? Cadê a ADG???

    Acordem queridos, não temos futuro assim.

  15. Nuno Boggiss says:

    Não tem peso nenhum. nem 1% das empresas, agêncis e estúdios sabem dessa tabela, muito menos seguem algum piso salarial a risca.

  16. popdesign says:

    pra começar, tanto RJ qto SP estão com o mercado degradado.

    cabe a nós bater de frente e não aceitar isso.

    quem ganha pouco no início está fadado a ganhar pouco para sempre.

    mas o que mais incomoda dessa história toda é que tem os pequenos que não conseguem dar salários astronomicos. mas e os grandes que tem grandes verbas, ganham BV e pagam a mesma merrequinha?

    []s
    giselle

  17. Joana says:

    Nuno,

    Se você olhar os anúncios para São Paulo, vai chorar. A situação Tem péssima em qualquer lugar.

    Uno,
    A ADG não faz nada além de dar suporte aos seus “associados” e ponto.

  18. Mario Amaya says:

    Acabei de colocar um manifesto sobre isso no meu blog:

    http://marioav.blogspot.com/2008/07/como-abandonar-profisso-do-design_15.html

    Entrei na profissão há 19 anos, quando não existia graduação en design digital como hoje tem em cada esquina do bairro. Dei aula sem ter meu próprio diploma. Trabalhei em muitos veículos. Toda essa experiência virou nada. Não importa mais. A carreira implodiu. Estou saindo fora desse inferno, puto da vida, mas de pé. Pessoal mais novo, fique esperto. Tenho um monte de amigos fazendo a faculdade que já morrem de ansiedade pelo futuro, sabendo que sendo designers se arriscam até a passar fome!

  19. Leo says:

    para aqueles q tão indignados com os salario de designer no Rio, aviso q em SP tá a mesmíssima M… só com maior concorrencia ainda. Me dói dizer isso, mas a profissão ACABOU no Brasil. Moramos num país q o sobrinho q aprendeu Corel na internet faz um logo pro tio em troca de um sorvete. Não existe critério de avaliação, tudo é aceitável como design. Não é valorizado o estudo de tipologia, escala cromática, história da arte, conceitos de luz, fotografia, composição… N A D A. O cliente só quer aquele varejão bem chamativo, cheio de efeitos cafonas e clichês. É uma imensa pena, mas é essa a realidade. Tem garçon e faxineira tirando mais q designer (sem nenhum preconceito contra eles, pois são trabalhadores honestos e dão duro – mas não estudaram 4 anos, fora os trocentos cursos de web, 3d etc etc etc

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